28 de fev. de 2012

Cangaceiro dos ventos Sul

Cozinhar, preparar uma refeição, às vezes leve, às vezes calórica. Qualquer que seja a opção, o sabor das misturas tem que alcançar a satisfação do prazer de comer gostoso.

Vida de solteiro, trabalho o dia inteiro, fins de semana que não paro em casa. Fica difícil manter a dispensa em ordem e ter ingredientes disponíveis na geladeira, mas é nessa condição que crio e brinco. Num passe de mágica invento um prato que atinja aos anseios das papilas degustativas, pois são elas que julgam o resultado final. Desafio!

Numa tarde de domingo me deu uma vontade de comer gostoso, isso significa comer em casa, criar e saborear. Então, a partir dos ingredientes disponíveis decidi fazer um arroz carreteiro, prato típico da culinária tradicional dos Gaúchos que eu adoro. Recordo sempre da Festa dos Estados no parque de exposições em Brasília. Foi lá que eu comi o melhor até hoje.
Um pouquinho de história sobre o carreteiro:

(...) Sua origem se dá na época em que as carretas eram o principal meio de transporte e o motor do desenvolvimento, levando e trazendo, nas distâncias das estradas, os produtos, os mantimentos, o progresso. Foi nessa lida que o gaúcho carreteiro utilizou-se, para o seu sustento, de um prato simples e prático, o qual acabou batizado com o nome do seu nobre ofício. Simples porque os seus ingredientes, sem correrem o risco de deterioração, consistiam apenas do arroz, do charque e da água. E prático porque o mesmo exigia pouco trabalho e reduzido tempo de preparo: era cortar o charque, fritá-lo, acrescentar, sem lavar, o arroz e, depois, a água. E pronto! A rápida e saborosa refeição, novamente alimentava as energias de um campeiro gaúcho carreteiro. Alguns viajantes, certamente, levavam alguma cebola ou alho, mas a grande maioria deles se valia mesmo era de gêneros alimentícios que se mantinham conservados nas longas jornadas, ou seja, só charque e arroz. Este é o Arroz de Carreteiro da Tradição Gaúcha Brasileira (...) http://www.chasquepampeano.com.br/materia.php?id=76

Bom! O meu carreteiro eu tempero, afinal os tempos são outros. Mão na massa! Depois de fritar bem a carne, refoguei a com cebola e alho, em seguida adicionei o arroz e um pouco de sal. Já cozido, finalizei com salsa bem picadinha. Ainda faltava alguma coisa para compor a obra de arte. Cozinhar é tão prazeroso, pena que às vezes eu não compartilho minhas feitas gastronômicas, sou boa nisso. Ainda nessa preparação, notei que havia algumas bananas da terra, fritei-as em rodelas e decorei o prato.


Foi assim que aconteceu o cangaceiro do sul. A mistura das cores e formatos deu uma textura artística para o prato, batizado a rigor, uma mistura de nordeste com o sul. A sofisticação é amadora, mas a produção pode ser melhor ainda.




Essa é a magia da cozinha. Adoro a alquimia em parceria do senso estético. Tudo em nome da arte, do prazer de sentar e comer bem, bonito, saudável.




Viver é cozinhar a arte da mistura, é ousar, criar, é ar ar ar aroma...

Até breve...