25 de jun. de 2013

A majestosa lagosta e a trágica cadeia alimentar...


Uma multidão de lagostas... Pena não ter registrado. Nunca havia observado de perto. Quanta beleza num ser só. Majestosas cores, os detalhes da cauda e suas antenas gigantes com seu olhos de espanto me fascinaram. Nada disso seria tão frustrante, se não soubesse o fim de tamanha beleza. Na água quente perderam suas vidas e com ela suas cores que desbotaram num só tom. Cena inesquecível, não teve sangue, mas vi desespero. Essa tal de cadeia alimentar, as vezes, me intriga. Essa parte de matança não me apetece no meu ofício.

Esse momento me lembrou uma música dos Baianos e os novos caetanos que fala assim:

" (...) urubu ta com raiva do boi e eu já sei que ele tem razão, é que urubu ta querendo comer, mas o boi não quer morrer, não tem alimentação. O mosquito é engolido pelo sapo, o sapo a cobra lhe devora, mas o urubu não pode devorar o boi e todo dia chora. Gavião quer engolir socó, socó pega o peixe e dá o fora, mas o urubu não pode devorar o boi e todo dia chora. Nada a dizer, nada, ou quase nada. O que tem a fazer: tudo, ou quase tudo. O homem, a obra divina. Na rua, a obra do homem. Cheiro de gás, o asfalto fervendo, o suor batendo (...)"


E nessa cadeia para alimentar, vamos levando a vida. Sim, não, talvez...

Uma salada de folhas verdes com camarões e lagostas. O prazer e a dor! Muito delicado!





Libertando a carne

Pronta para ser engavetada no freezer ou no estômago

Ser ou não ser, eis a questão...


Pelejar, palavra de ordem, até abrir o meu restaurante. Voltei para Barra Grande e estou cozinhando num restaurante na beira da praia. Frutos do mar, carnes, bolinhos e caldos, são algumas das opções do cardápio. Tenho executado os pratos, mas também tenho dado pitacos na apresentação e finalização. Muitos são os desafios quando a gente chega para executar e não criar. Mais fácil? Sim, porém, não inspira. Sem dúvida será sempre um aprendizado, conhecer coisas novas para o caminho percorrido ser válido. Nessas misturas do saber vou ganhando mais elementos para criar novas preparações.
Cheguei na baixa estação, devo ficar até o fim de verão, essa é a meta, afinal, já estou aqui. Antes sofrer na beira mar, do que no trânsito caótico de salvador, ou qualquer outra cidade. Tenho me empenhado em fazer o meu melhor, vestir a camisa do meu figurino e atuar como profissional dentro das possibilidades que eu tenho.
Muita luta para tecer uma experiência que possibilitará concretizar a minha história. penso que agora é só descobrir em qual lugar eu vou me encontrar nesse Brasil gigante. Beira mar, serra, cachoeiras? O universo já conspira a meu favor.
Ojuara's em breve... Enquanto isso vou no caminhando, cozinhando por aí, nessas curvas tortuosas que a vida nos apresenta. Acredito muito nas mil facetas que posso ter. Obrigada meu Deus pela perseverança. O investidor vai aparecer.



Um pedacinho do cardápio