Uma multidão de lagostas... Pena não ter registrado. Nunca havia observado de perto. Quanta beleza num ser só. Majestosas cores, os detalhes da cauda e suas antenas gigantes com seu olhos de espanto me fascinaram. Nada disso seria tão frustrante, se não soubesse o fim de tamanha beleza. Na água quente perderam suas vidas e com ela suas cores que desbotaram num só tom. Cena inesquecível, não teve sangue, mas vi desespero. Essa tal de cadeia alimentar, as vezes, me intriga. Essa parte de matança não me apetece no meu ofício.
Esse momento me lembrou uma música dos Baianos e os novos caetanos que fala assim:
" (...) urubu ta com raiva do boi e eu já sei que ele tem razão, é que urubu ta querendo comer, mas o boi não quer morrer, não tem alimentação. O mosquito é engolido pelo sapo, o sapo a cobra lhe devora, mas o urubu não pode devorar o boi e todo dia chora. Gavião quer engolir socó, socó pega o peixe e dá o fora, mas o urubu não pode devorar o boi e todo dia chora. Nada a dizer, nada, ou quase nada. O que tem a fazer: tudo, ou quase tudo. O homem, a obra divina. Na rua, a obra do homem. Cheiro de gás, o asfalto fervendo, o suor batendo (...)"
E nessa cadeia para alimentar, vamos levando a vida. Sim, não, talvez...
Uma salada de folhas verdes com camarões e lagostas. O prazer e a dor! Muito delicado!
| Libertando a carne |
| Pronta para ser engavetada no freezer ou no estômago |